Começo este relato com duas notas de descontentamento em relação à edição deste ano do MEO Urban Trail. Se no ano passado, sendo ano de estreia da prova, muitas das falhas possam ser desculpadas, este ano não só as mesmas se verificaram como outras lacunas se vieram juntar.
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| O último grito da moda - projectar luz em paredes à noite. |
Distância
A prova foi anunciada como sendo de 12km. Devido a um evento de fado pelos bairros típicos de Lisboa, na partida, o speaker anunciou que a prova teria 10km. Na realidade foram 9,16... Já no ano passado em vez de 10km, foram 9km, por, na altura, haver dificuldade da PSP em condicionar o trânsito. Sugiro que, para o ano, anunciem a prova como sendo de 15km. Pode ser que assim algo entre 10km e 12km seja possível. Por 15€ de inscrição é logisticamente possível fazer provas acima dos 10 km, como atestam muitas meias-maratonas organizadas pelo país fora.
Abastecimentos
Se a madalena do ano passado no Castelo de S. Jorge me embuchou até ficar às portas de uma desidratação de níveis badwaterianos, este ano nem sólidos houve. Apenas um abastecimento de água, numa noite quente de Verão, já perto dos 6 km. Esta prova, pelo seu desgaste, pedia abastecimentos de três em três quilómetros. Faço novamente notar que se tratam de 15 € de inscrição.
Kit de chegada
Apenas uma água após chegada parece-me manifestamente pouco. Uma maçã, banana ou uma barra de cereais era o suficiente. Note-se que esta prova, para a esmagadora maioria dos atletas, implicou esforço continuado e intenso durante pelo menos uma hora. Água apenas, não chega para repôr as energias.
Abordados os aspectos negativos e não obstante o registo dos mesmos este ano, para a próxima edição conto participar novamente. Nada bate o ambiente vivido nesta prova. O apoio do público empolga, o trajecto desafiante anima, as escadinhas, ruelas, vielas e pessoas suplantam toda e qualquer expectativa que se tenha em correr nos bairros típicos de Lisboa. Para um lisboeta que não gosta de muita da Lisboa com a qual convive todo o ano, durante o tempo da prova, tudo parece diferente e a roçar o mágico. Mas, aqui e ali, há espaço para olhar com visão crítica para a degradação e deficiente higiene urbana em espaços que se querem pólos de atracção turística e onde habita muita da nossa população mais idosa.
Regressa-se ao Terreiro do Paço com a sensação que se esteve noutro mundo, numa Lilliput à beira Tejo, com aromas que vão desde as iscas ao lixo, do caramelo à sardinha.
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| Ena tanta gente... cheira-me a sardinhas... tu queres ver que o abastecimento é sardinha com mini? |
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| Fujam que eles andem ai, aos pares de três... |
A próxima prova será a Meia-maratona da ponte Vasco da Gama. O próximo fim-de-semana será reservado para um mini-longão de 15 a 17 km para preparar o corpo e a mente para a meia-maratona, atendendo a que não há provas, por poderem colidir com as eleições autárquicas. Aos 39 anos de vida democrática, não deixa de ser sintomático que ainda necessitamos que desliguem todos os brinquedos e distracções para que não caiamos na tentação de nos socorrermos de um qualquer bode respiratório* que nos iniba de exercer o mais básico dos direitos cívicos.
* - bode expiatório, mas não resisti ao trocadalho**
** - é trocadilho***
*** - não tomes as gotas não...








