"E está feita". Se há expressão que pode resumir a prova de hoje, é esta.
Esta prova é, para mim, a "besta negra" das provas de estrada em que já participei. Estreei-me na meia-maratona neste trajecto, em 2011 e 2012 fi-la sempre com tempos sofríveis e com uma quebra brutal de ritmo do quilómetro 15 para a frente. Hoje não foi excepção.
Apesar de ter começado sem sinal de GPS, deu para controlar o tempo bastante bem desde o início e cheguei a Santa Apolónia, perto dos 12km, com 1h03m.
A partir dai, resolvi asneirar.
No abastecimento de retorno, este escriba teve a brilhante ideia de provar um gel que nunca tinha experimentado, fornecido pela organização. Como isto poderia não ser suficiente para colocar a parte gastro-intestinal da minha pessoa com distúrbio de hiperactividade, resolvi juntar um belo de um quarto de laranja um pouco mais à frente. Estávamos nos 15km, estava confiante, com 1h16m, dois minutos abaixo da milestone programada para os 15k, ia fazer 1h48m se apertasse um bocadinho no fim, era só controlar o ritmo...
DING DING DING UOIOOOOO UOIOOOOOO BONG BONG BONG!
(as onomatopeias acima são o meu alerta gastro-intestinal)
Estava tramado. Tinha que parar. Olhando para a esquerda e para a direita, não via uma moita, um arbusto, um café, nada... até que, por milagre, vejo a aproximar-se de mim isto (na verdade eu estava a correr, mas era difícil ter a noção do facto):
Atirei-me lá para dentro, fiz o que tinha a fazer e sai. Olhei para o relógio, já estava com uma passada de 08min/km e pensei "bom, como isto está correr tão bem, agora só me falta ser atropelado pelo queniano mais apressado da Maratona". Entrei outra vez no pelotão, passada de 05:20, sensação de estar a ver pessoas que já tinha ultrapassado, vislumbrei um bocado ao longe um colega de equipa e resolvi apanhá-lo, coisa que de facto fiz... mas aos 20km. Decididamente o corpo já tinha desligado, amuado por eu insistir em levá-lo para uma zona que ele não gosta (Expo até Santa Apolónia) e corri apenas com a cabeça e a ideia de chegar a casa o mais depressa possível.
Acabei com 01h51m38s,o que, apesar de tudo, ainda consegue ser a minha melhor marca nesta prova.
O regresso a casa também não foi dos mais fáceis, com uma sensação de desgaste bastante grande.
Já perfeitamente recuperado, posso dizer que decididamente, paga-se caro sair da rotina de abastecimentos programada. Hoje posso ter tido os 15km iniciais mais confiantes nesta meia-maratona, mas coloquei de certa forma a humildade e precaução de lado em momentos cruciais da corrida.
















