Corre mais rápido!

Aqui partilhamos todas as nossas provas e treinos e muitas outras coisas sobre o mundo da corrida...

19/04/2017

Operação Corrida 1º de Maio 2017

Mantendo o hábito de preparar as provas com quinze dias de antecedência, cabe-me anunciar que iniciei a operação Corrida 1º de Maio 2017. 

Não se tratando de uma prova de 10km, mas de 15, vi-me forçado a responder ao BANHA - Boletim de Aferição Normativa de Hipótese de Alinhar, questionário internacionalmente utilizado para avaliar a real possibilidade de um atleta de pelotão sobreviver a uma prova para a qual não treinou o que deveria treinar.


  1. Tens bebido água em quantidades decentes, meu lorpa? ✔
  2. Tens corrido não menos que uma vez por semana? ✔
  3. Das duas últimas vezes que treinaste 10 quilometros, já não foi necessário despedires-te da família e deixar o funeral pago? ✔
  4. Nos últimos quinze dias já efectuaste duas subidas filhadamãe, uma delas com três quilómetros sempre a correr? ✔
  5. Estás inscrito na prova? ✔
  6. Tens reduzido o peso de forma sustentada, embora ainda estejas longe do peso ideal, meu bipede seboso? ✔  
  7.  Escapaste à Páscoa sem emborcar amêndoas em quantidade obscena? ✔
  8. Mesmo com os pulhas dos pólens no ar, vais correr hoje, meu florzinha de estufa? ✔
  9. Tens efectuado exercícios de força, mesmo não em contexto de ginásio, bastando para isso recorrer ao levantamento da prole de 14.5Kg? ✔
  10. Vais fazer cerca de 12 quilómetros de treino longo este fim de semana com umas subidas para simular a Almirante Reis lá pelo meio? ✔

Com 100% de respostas positivas, tudo indica que farei a prova, salvo algum imprevisto. Não tenho referencial de tempo, isso decidirei depois de fazer o treino longo, mas deverá andar pelos 6min/km.

24/02/2017

Analice Silva


Deixou-nos aquela que era para mim a referência maior da corrida amadora em Portugal.

Não conheci pessoalmente a Analice, para além de breves e simpáticas conversas antes de uma ou outra prova, mas sempre que a via, a prova em questão ganhava outra dimensão.

A sua história de vida é também uma referência da resiliência, optimismo e humanismo. Só um grande Ser Humano como a Analice consegue dar a volta, após uma primeira metade de vida bastante complicada, plena de obstáculos. E ter a mestria de encontrar na corrida uma forma de enriquecer a sua vida, onde conquistou amizades, admiração e o mais profundo respeito de todos os atletas de pelotão.

08/02/2017

OCD - Obsessive Cardio frequency meter Disorder

Desde Abril/2016, com o meu regresso tímido aos treinos, tenho-me feito acompanhar sempre por uma banda cardíaca. Dada a falta de folego e a minha estampa gelatinosa, ser lançado às feras a tentar impôr o ritmo sozinho era garantia de uma performance sofrível e perigosa para a saúde. Com nove meses de uso, criou-se a inevitável dependência do cardiofrequencímetro.

Não havia subida em que eu não olhasse para o relógio para ver o conta-rotações a chegar ao redline, nem descida que eu não consultasse o Garmin para ver se não estava a descer demasiado nas pulsações. Mergulhei nas profundezas das zonas de treino, defini as minhas, que percebi serem um pouco mais elevadas do que o normal para a idade, o que significa que ainda tenho o coração de um adolescente acnoso.

Tudo ia bem neste meu pequeno mundo em que tudo podia ser controlado, até a batida cardíaca. Era um homem feliz, um mestre na obsessão de manter-me na zona 3 e na compulsão de abrandar o passo quando o Garmin vibrava a avisar-me que estava a bater nas 159bpm.



Mas eis que veio Domingo. Arranco para treinar ao fim do dia, uns 6 km paranoicamente controlados. Munido do meu cardio-soutien, faço o aquecimento, uns 500 metros lentos e acelero o passo... nem uma notificação no Garmin "estás tão bom nesta gestão do ritmo que já nem sais da zona de treino. Tens que te dedicar a outra coisa mensurável para controlar e perpetuar esse estado psicótico. Que tal o comprimento da passada?" pensei eu. Ao fim de dois quilómetros, resolvi ver a quantas andava... duas linhas horizontais no gps indicavam-me uma de duas realidades:
  1. Estava morto. Flatlined, como os britânicos dizem. Tinha lerpado na subida a caminho da Quinta das Conchas. Dado não ter batimento cardíaco no Garmin mas o mesmo indicar-me um pace de 06:05 min/km, cedo descartei essa hipótese.

    ou
  2. A pilha do cardiofrequencímetro tinha ido com os porcos.
Fiz o restante do treino sem chão, desorientado, perdido, sem saber ao que me agarrar. Só queria chegar a casa, desenterrar uma pilha CR2032 de um relógio e ressuscitar o sensor. Cheguei tão depressa a cada que fiz o treino mais rápido dos últimos meses.

Dado não ter uma única pilha CR2032 em casa, uma ida a uma loja do chinês da especialidade na passada Segunda-feira resolveu a questão. Para meu desencanto, a banda continuava a não dar sinais de vida. Uma pesquisa pelo Google fez-me ver que. afinal, não estou sozinho. A banda da garmin é propensa a dar o berro, não o sensor. Isso sucede por acumulação de sal e outras badalhoquices na banda. Mesmo com uma lavagem de semanal.

Solução? Comprar uma banda da Polar (14€), compatível com o sensor da Garmin que, a avaliar pelo que pesquisei, é mais fiável, menos propensa a avariar e fica a um terço do preço de uma banda da Garmin.

Até a banda vir, vou ter que treinar sem cardiofrequencímetro. Ponderei correr com estetoscópio e metrónomo, mas carregar no metrónomo cerca de 160 vezes por minuto podia originar uma tendinite de repetição no dedo. Outra solução passaria por levar um medidor de tensão em modo repeat, o que elevaria o risco de uma trombose no braço, tal é o aperto daquela brincadeira.

Ainda não sei como vou treinar nas próximas semanas. Talvez meta os primeiros 01:15 desta música em repeat nos phones e consiga treinar sem panicar...








02/01/2017

São Silvestre de Lisboa 2016 - report by bluesboy

Foto da organização, retirada da página de Facebook da prova
Depois de participar na Corrida do Aeroporto, fiz os restantes 50% de participação em provas em 2016 no último dia do ano. Duas provas num ano. É recorde.

Com dois treinos feitos na semana entre o enfardamento natalício e o emborcamento do revelhão, encarei a partida para a São Silvestre de Lisboa com uma saudável dose de confiança. Confiança em que acabaria a prova vivo, perto dos 60 minutos de prova. E assim foi (57:39).

Após os primeiros 3 quilómetros em qe aproveitei para aquecer, chega-se ali na Av. 24 de Julho pronto para meter o esqueleto em velocidade de cruzeiro (5:50 no meu caso) até à subida da Av. da Liberdade, onde, mais uma vez, adoptei a sensata estratégia de ver quem vinha a descer, por forma a não perceber que ia a subir.

Resultou muito bem até quase chocar com um corredor de fim de semana que resolveu parar para meter os pulmões para dentro quando só faltavam 50 metros para o Marquês.

Rotunda feita, tempo de ligar o turbo(lento) e descer o menos lentamente possível rumo aos Restauradores.

Bela manhã de corrida, excelente organização da HMS. Creio que a realização da prova de manhã é uma excelente iniciativa. Oxalá seja para manter.


Um bom ano a todos!